Segunda-feira, 20 de Outubro de 2008
Sábado, 19 de Abril de 2008
é com um piano amarrado ao pé que a vida segue
com o peso do som regendo os passos arrastados
cena por cena, cenário por cenário
eu e meu piano
piano é sempre a parte da herança que ninguém se apetece em receber
grande demais, pesado demais
"pra que quero um piano?"
ao herdeiro só cabe ceder a guarda a uma toalha de renda
a um vaso com um flor de plástico
então depois de tanto pesar num canto
o que fica é uma voz calada
numa caixa de madeira com uma flor pra enfeitar.
com o peso do som regendo os passos arrastados
cena por cena, cenário por cenário
eu e meu piano
piano é sempre a parte da herança que ninguém se apetece em receber
grande demais, pesado demais
"pra que quero um piano?"
ao herdeiro só cabe ceder a guarda a uma toalha de renda
a um vaso com um flor de plástico
então depois de tanto pesar num canto
o que fica é uma voz calada
numa caixa de madeira com uma flor pra enfeitar.
Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008
é um parto
foi gerado e alimentado aqui dentro
agora saiu
e não entra mais
se está fora
não me pertence
pode se alimentar das coisas do mundo
e viver sem lembrar do seu lar
que sofreu reforma pra poder recebe-lo
pequeno lar, mas quente e íntimo
a dor de dar-te à luz
talvez só tua mãe também saiba
e ela também sabe como no seu íntimo você foi morar
eu não
os doutores tinham um diagnóstico exato
você ali, meio difuso
mas era certo:
havia um caminho de volta
de volta ao que você ainda não tinha ido
mas de volta
e aqui no seu pequeno lar
a rua estreita que você entrou
ficou sem saída com a tua vinda
mas você cresceu
e meu lar que já não era grande
ficou menor ainda quando teve que dividir
teu espaço com o amor que também crescia
o tempo passava
e vocês - você e o amor
não cessavam em progresso
e tudo ficou muito pesado
os dias se arrastavam
e eu me arrastava no tempo
quando não havia mais caber
nem de lar
nem de tempo
nem de você e nem de amor
houve enfim o rebento
e a surpresa:
vocês- gêmeos
e assim em você eu via amor
e em amor eu te via
ambos fora de mim
e eu vejo vocês
seguindo ao mesmo tempo
caminhos distintos
mas os mesmo caminhos
por serem iguais
enquanto seguem
eu observo
mas agora pela distância
a imagem, que é igual
se torna um borrão
embaçado, molhado
mas no coração das mães
os filhos são iguais
e fazem o mesmo sentido
significam a mesma coisa
você e amor
deixaram esse lar
agora um lar maior
pintado de vermelho
um pouco bagunçado
com ar de pensão
foi gerado e alimentado aqui dentro
agora saiu
e não entra mais
se está fora
não me pertence
pode se alimentar das coisas do mundo
e viver sem lembrar do seu lar
que sofreu reforma pra poder recebe-lo
pequeno lar, mas quente e íntimo
a dor de dar-te à luz
talvez só tua mãe também saiba
e ela também sabe como no seu íntimo você foi morar
eu não
os doutores tinham um diagnóstico exato
você ali, meio difuso
mas era certo:
havia um caminho de volta
de volta ao que você ainda não tinha ido
mas de volta
e aqui no seu pequeno lar
a rua estreita que você entrou
ficou sem saída com a tua vinda
mas você cresceu
e meu lar que já não era grande
ficou menor ainda quando teve que dividir
teu espaço com o amor que também crescia
o tempo passava
e vocês - você e o amor
não cessavam em progresso
e tudo ficou muito pesado
os dias se arrastavam
e eu me arrastava no tempo
quando não havia mais caber
nem de lar
nem de tempo
nem de você e nem de amor
houve enfim o rebento
e a surpresa:
vocês- gêmeos
e assim em você eu via amor
e em amor eu te via
ambos fora de mim
e eu vejo vocês
seguindo ao mesmo tempo
caminhos distintos
mas os mesmo caminhos
por serem iguais
enquanto seguem
eu observo
mas agora pela distância
a imagem, que é igual
se torna um borrão
embaçado, molhado
mas no coração das mães
os filhos são iguais
e fazem o mesmo sentido
significam a mesma coisa
você e amor
deixaram esse lar
agora um lar maior
pintado de vermelho
um pouco bagunçado
com ar de pensão
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