sábado, 12 de Setembro de 2009

do branco ao branco

de muitos brancos se construiu esse espaço
de tempo em tempo, longos e brancos
dias, meses e anos
no fundo
no pano
difundo
tudo branco

ainda que amareladas essas palavras manjadas
um dia brotaram também desse branco
um branco tão branco e extenso
permanente e indigesto
que cega e aliena trazendo um conforto cômodo
um desejo por mais metros de branco, sossego

o branco sempre pede uma resposta
não pode ser um branco só
um branco só e branco
pede uma impressão
uma história, opinião
um branco só branco é espanto
é um caminho insosso
é a falta de direção


segunda-feira, 20 de Outubro de 2008

i need someone to share my favorite songs

sábado, 19 de Abril de 2008

é com um piano amarrado ao pé que a vida segue
com o peso do som regendo os passos arrastados
cena por cena, cenário por cenário
eu e meu piano

piano é sempre a parte da herança que ninguém se apetece em receber
grande demais, pesado demais
"pra que quero um piano?"

ao herdeiro só cabe ceder a guarda a uma toalha de renda
a um vaso com um flor de plástico

então depois de tanto pesar num canto
o que fica é uma voz calada
numa caixa de madeira com uma flor pra enfeitar.



terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008

é um parto
foi gerado e alimentado aqui dentro
agora saiu
e não entra mais

se está fora
não me pertence
pode se alimentar das coisas do mundo
e viver sem lembrar do seu lar
que sofreu reforma pra poder recebe-lo
pequeno lar, mas quente e íntimo

a dor de dar-te à luz
talvez só tua mãe também saiba
e ela também sabe como no seu íntimo você foi morar
eu não

os doutores tinham um diagnóstico exato
você ali, meio difuso
mas era certo:
havia um caminho de volta
de volta ao que você ainda não tinha ido
mas de volta

e aqui no seu pequeno lar
a rua estreita que você entrou
ficou sem saída com a tua vinda

mas você cresceu
e meu lar que já não era grande
ficou menor ainda quando teve que dividir
teu espaço com o amor que também crescia

o tempo passava
e vocês - você e o amor
não cessavam em progresso
e tudo ficou muito pesado
os dias se arrastavam
e eu me arrastava no tempo

quando não havia mais caber
nem de lar
nem de tempo
nem de você e nem de amor
houve enfim o rebento
e a surpresa:
vocês- gêmeos

e assim em você eu via amor
e em amor eu te via
ambos fora de mim

e eu vejo vocês
seguindo ao mesmo tempo
caminhos distintos
mas os mesmo caminhos
por serem iguais

enquanto seguem
eu observo
mas agora pela distância
a imagem, que é igual
se torna um borrão
embaçado, molhado

mas no coração das mães
os filhos são iguais
e fazem o mesmo sentido
significam a mesma coisa

você e amor

deixaram esse lar
agora um lar maior
pintado de vermelho
um pouco bagunçado
com ar de pensão